"Evolução Rápida"

Cientistas estão investigando um incrível caso de "evolução rápida" ocorrido com um réptil brasileiro. Nos últimos 15 anos, um pequeno lagarto da espécie Gymnodactylus amarali teve a sua cabeça aumentada em 4% como uma adaptação para comer cupins após o desaparecimento dos lagartos maiores das ilhas por conta da construção de uma usina hidrelétrica. Ainda que se conheçam outros exemplos de evolução rápida, o caso do lagarto é excepcional, porque mostra o impacto da atividade humana na transformação das espécies

Quando se fala em evolução nos vem logo à cabeça a ideia de um processo gradual que pode levar milhões de anos para se desenvolver. Pelo menos era assim que se pensava até agora. Cientistas estão investigando um incrível caso de "evolução rápida" ocorrido com um réptil brasileiro, provando que, em alguns casos, os mecanismos que levam à evolução das espécies não precisam demorar milhões de anos para atuar. 
De acordo com um estudo recente publicado na PNAS, a revista da Academia de Ciências dos Estados Unidos, uma espécie de lagarto no Brasil desenvolveu uma cabeça maior em apenas 15 anos - muito pouco tempo em termos evolutivos. O animal, conhecido como lagarto menor (Gymnodactylus amarali), pode ser encontrado em algumas das ilhas criadas pela construção da Usina Hidrelétrica Serra da Mesa (Goiás) em 1996.
A criação da usina inundou uma área de cerrado na cidade de Minacu e originou cerca de 300 pequenas ilhas nas partes mais altas do terreno. Muitas espécies de lagartos desapareceram delas, provavelmente porque não havia comida suficiente para suas necessidades energéticas. Mas o Gymnodactylus amarali, que se alimenta de insetos, continuou presente em algumas das ilhas.
Os cupins maiores, antes consumidos apenas por répteis grandes, agora passaram a ficar "disponíveis" para esses animais menores. Só que havia um grande problema. As cabeças pequenas dos lagartos, de apenas um centímetro de largura, eram quase do mesmo tamanho dos cupins. O mais impressionante é que a cabeça e a boca desse lagarto aumentaram em 4% nos últimos 15 anos. Esses 4% podem não parecer uma mudança significativa, mas foram suficientes para que os lagartos agora pudessem consumir os cupins.
Para determinar se os lagartos realmente haviam evoluído, alguns animais foram capturados em cinco das ilhas que surgiram no meio da represa da hidrelétrica pela equipe da bióloga brasileira Mariana Eloy de Amorim, da Universidade de Brasília (UnB). Em seguida, foram comparados com lagartos que viviam em cinco áreas em volta da represa - zonas que não estavam isoladas.
Os pesquisadores mediram o tamanho da cabeça dos lagartos e, depois de sacrificá-los, abriram seus estômagos para ver o que haviam comido. Os resultados foram surpreendentes. Apesar de apenas 15 anos terem se passado desde a criação da represa, os lagartos que viviam nas ilhas tinham cabeças maiores que seus vizinhos.
Uma das coisas mais interessantes é que os lagartos de todas as cinco ilhas estudadas desenvolveram cabeças maiores, ainda que estivessem isolados uns dos outros.
Mas por que o corpo todo não cresceu? Segundo Janet Hoole, professora de biologia da Keele University, no Reino Unido, o motivo é que os corpos maiores demandam mais energia para se manter. Assim, esses répteis perderiam a vantagem potencial de ter mais alimento disponível se tivessem que consumir mais comida. 
Para Hoole, "isso sugere que aumentar o tamanho da cabeça, sem crescer o tamanho do corpo, é a forma mais eficiente de aproveitar a oportunidade de uma dieta mais variada que a usual para essa espécie".
E ainda que se conheçam outros exemplos de evolução rápida, o caso do lagarto é excepcional, porque mostra o impacto da atividade humana na transformação das espécies.
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