À Espera do Newton Biólogo

Assim como Isaac Newton transformou a matemática para tratar de mecânica celeste, muita gente acredita que o próximo Newton será um sujeito preocupado com biologia

Joel E. Cohen escreveu num artigo publicado na revista científica PLoS Biology que a matemática é o próximo microscópio da biologia. Segundo ele, a biologia deve estimular a criação de novos campos da matemática neste século.

Não é de hoje  que os matemáticos usam a biologia para inventar matemática. Se Francis Galton (1822-1911) não tivesse medido a altura, o peso, a força da mão e acuidade visual de umas dez mil pessoas, Karl Pearson (1857-1936) talvez não tivesse se dado ao trabalho de desenvolver várias técnicas para calcular a correlação entre duas variáveis. Se hoje engenheiros de tráfego usam as cadeias de Markov para ajustar os semáforos de cidades grandes, foi porque o matemático russo Andrei Markov (1856-1922) se interessou pelos aspectos matemáticos de um fenômeno biológico: os movimentos brownianos (em exibição em qualquer flor de girassol).
Até agora, contudo, não surgiu na história da matemática um biólogo que esteja para a biologia e a matemática assim como Isaac Newton (1642-1922) esteve para a física e a matemática. Para resolver problemas de mecânica celeste, Newton desenvolveu o cálculo diferencial e integral tão bem, que até hoje os professores de cálculo mencionam Newton várias vezes ao longo do curso, e até ensinam aos estudantes alguns truques concebidos por Newton.
Se ainda não surgiu o Newton biólogo, muitos matemáticos e muitos biólogos estão à sua espera. É só questão de tempo, pois, para eles, a biologia é a próxima fronteira da matemática. De onde sai tanta fé? Da tecnologia moderna, especialmente da computação.
Biólogos hoje podem usar chips de computador para tipificar o sangue de um animal em minutos; podem prender um colar com localizador GPS num animal e coletar a sua latitude e longitude ao longo de meses ou anos. Podem usar satélites de órbita baixa para rastrear animais, e combinar os dados com as medições de estações meteorológicas. Em resumo, hoje os biólogos têm um mar de dados à disposição, esperando análise, como explica Isabel Gordo, cientista-chefe do departamento de biologia evolutiva do Instituto Gulbenkian de Ciência, em Lisboa. Segundo ela "há uma enorme necessidade de encontrar padrões, e de explicá-los de forma tão simples quanto possível. Isso requer matemática num nível que não é ensinado na universidade, nem aos biólogos, nem talvez aos matemáticos".
Fonte: Revista Cálculo ( Editora Segmento), edição 15, 2012 ( texto adaptado)

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